Dados de Marisa Leticia no WhatsApp mostram que ódio venceu ética médica

Claudia Collucci da Folha de São Paulo afirma que horas depois da internação de Marisa Letícia no Hospital Sírio-Libanês, uma médica reumatologista que atuava no hospital enviou mensagens a um grupo de WhatsApp de antigos colegas de faculdade, confirmando que dona Marisa estava no pronto-socorro com diagnóstico de Acidente Vascular Cerebral-AVC hemorrágico de nível 4 na escala Fisher (um dos mais graves).

A mensagem compartilhada no grupo “MED IX” se espalhou em outros grupos de WhatsApp. No mesmo dia, outro médico de fora do Sírio-Libanês postou no grupo imagens de uma tomografia atribuída a dona Marisa Letícia, acompanhada de detalhes que foram confirmados, em seguida, pela médica reumatologista.

As informações,sigilosas, foram rapidamente compartilhadas em outro grupo de médicos, intitulado “PS Engenho 3“, e atribuídas a um cardiologista. “Os comentários que acompanham a troca de mensagens são assustadores” diz a colunista.

Quando a médica diz que Marisa ainda não tinha sido levada para a UTI, um colega residente em urologia dispara: “Ainda bem!”. A médica responde com risadas.

Um neurocirurgião, também do grupo,ironizou o quadro de dona Marisa:

“Esses fdp vão embolizar ainda por cima”, escreveu . O procedimento de embolização provoca o fechamento de um vaso sanguíneo para diminuir o fluxo de sangue em determinado local.

“Tem que romper no procedimento. Daí já abre pupila. E o capeta abraça ela“, escreveu o médico.

“O que isso tudo mostra?

Que o juramento de Hipócrates, de nunca causar dano ou mal a alguém, foi vencido pelo ódio partidário, mais precisamente pelo ódio ao PT. Que esses médicos que compartilharam dados sigilosos ou mensagens de ódio perderam qualquer noção de ética médica. E que nós, pacientes, estamos sob sério risco de virar objeto de chacota entre profissionais médicos inescrupulosos”.

Leia alguns trechos da nota pública divulgada pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo-Cremesp ,após a colunista publicar as informações no jornal Folha de São Paulo:

“O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) informa que instaurou nova sindicância para apurar a divulgação de novos dados sigilosos do diagnóstico da ex-primeira-dama Dona Marisa Letícia, hospitalizada desde o dia 24/1. A sindicância tramita em sigilo processual e, também, investigará supostas ofensas à ex-primeira-dama que teriam sido praticadas por médicos paulistas em redes sociais.

O exercício da Medicina deve respeitar e preservar todos os aspectos do doente: físico, emocional e moral, transcendendo tabus, crenças e preconceitos, em nome da fidelidade ao compromisso de tratar e cuidar de todos, sem qualquer distinção. Sob o juramento hipocrático e os princípios fundamentais da Medicina, todo médico deverá “guardar absoluto respeito pelo ser humano e atuar sempre em seu benefício. Jamais utilizará seus conhecimentos para causar sofrimento físico ou moral, para o extermínio do ser humano ou para permitir e acobertar tentativa contra sua dignidade e integridade”.

De acordo com o Código de Ética Médica, é vedado ao médico “permitir o manuseio e o conhecimento dos prontuários por pessoas não obrigadas ao sigilo profissional quando sob sua responsabilidade”. Também não é permitido “liberar cópias do prontuário sob sua guarda, salvo quando autorizado, por escrito, pelo paciente, para atender ordem judicial ou para a sua própria defesa”, esta última em situação de sindicância ou processo ético-profissional. No cenário de doentes “notáveis”, a informação para o público deve ocorrer por meio de boletim médico autorizado pelo paciente ou responsável.

Para o Cremesp, o compromisso e a ética ante a saúde de cada um dos cidadãos colocam-se, sem distinções de qualquer natureza, sempre acima de interesses que não sejam fiéis à dignidade inviolável da pessoa doente junto aos seus entes queridos. Por conseguinte, o Cremesp lamenta a divulgação de qualquer exame, dado privativo e ofensas feitas a doentes em redes sociais.”

CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA DO ESTADO DE SÃO PAULO – 2 de fevereiro de 2017

mudancadeparadigmas.com

 

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