Dois pesos,duas medidas:o que Marcelo Odebrecht disse antes e depois de virar delator

Marcelo Odebrecht, o empresário que anteriormente havia negado fechar acordo de colaboração, hoje aparece em vídeos detalhando esquemas de corrupção e repasses de propina a políticos.

A antes de assinar delação premiada com o Ministério Público Federal – MPF, Marcelo afirmou em setembro de 2015, na CPI da Petrobras:

“Para alguém dedurar, ele precisa ter o que dedurar. Isso não ocorre aqui”. “Entre o meu legado, eu acho que tem valores, inclusive morais, dos quais eu nunca abrirei mão. Eu diria que entre esses valores, eu, desde criança, quando lá em casa, as minhas meninas tinham discussão e tinham uma briga, eu dizia: ‘olha quem fez isso?’. Eu diria o seguinte: eu talvez brigasse mais com quem dedurou do que com aquele que fez o fato”, completou, na ocasião.

ANTES E DEPOIS: RELAÇÃO COM POLÍTICOS

1 de setembro de 2015

Na CPI da Petrobras, Marcelo Odebrecht disse que a relação com políticos era natural.

“É provável que se eu encontrar com um amigo, empresário, político, é natural que venha à tona o tema Petrobras”, afirmou à época.

“Não me lembro de nenhuma conversa específica [com políticos sobre a Petrobras].”

Abril de 2017

Em delação premiada o empresário afirmou que havia um troca-troca com políticos: a empresa apresentava suas demandas, e os políticos exigiam um retorno financeiro.

Essa questão de eu ser um grande doador, de eu ter esse valor, no fundo, é o quê? É também abrir portas. Apesar de não vir um pedido específico, é o que eu digo: toda relação empresarial com um político infelizmente era assim, especialmente quando se podia financiar, os empresários iam pedir. Por mais que eles pedissem pleitos legítimos, investimentos, obras, geração de empregos, no fundo, tudo que você pedia, sendo legítimo ou não, gerava uma expectativa de retorno. Quanto maior a agenda que eu levava, mais criava expectativa de que eu iria doar tanto”, disse.

O empresário disse também que hoje o caixa 2 está disseminado nas campanhas eleitorais.

Eu não conheço nenhum político no Brasil que tenha conseguido fazer qualquer eleição sem caixa 2. O caixa 2 era três quartos, o que eu estimo. Não existe ninguém no Brasil eleito sem caixa 2.”

SOBRE A FORMAÇÃO DE CARTEL

30 de outubro de 2015

Marcelo disse à Justiça Federal que a alegação de que a empresa participou de cartel é “absolutamente inconsistente e absurda“.

Não me parece fazer sentido essa afirmação, considerando que a Petrobras convida os participantes de suas licitações, que são previamente cadastrados, pré-qualificados, e define os preços”, afirmou o réu ao ser questionado sobre o cartel.

“Nunca ouvi falar, nem soube de qualquer atuação de qualquer empresa do Grupo [em cartel].”

Abril de 2017

O empresário e outros delatores da Odebrecht relataram ao Ministério Público Federal-MPF sobre várias obras que conseguiram graças ao conluio com outras empresas e dinheiro oferecido a políticos.

Como exemplo, citou o esquema formado em Minas Gerais em 2007, na gestão de Aécio Neves (PSDB) enquanto governador. De acordo com o empresário, havia formação de cartel para fraudar a licitação para as obras da Cidade Administrativa. A Odebrecht teria repassado aproximadamente R$ 5,2 milhões em propina ao tucano neste caso.

“Talvez a gente tenha feito contribuições para as campanhas lá de Minas maiores do que justificava o próprio negócio em si, pela questão de olhar o futuro. Basicamente teve o Centro Administrativo, [como obra importante em MG], não sei se teve mais alguma coisa”. Informações: G1

Como dizia o filósofo: ”Quando os homens são puros, as leis são desnecessárias; quando são corruptos, as leis são inúteis”.

mudancadeparadigmas.com

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