Drauzio Varella: “A cracolândia não é causa, é consequência da marginalização de meninos e meninas nas periferias”

Todo mundo tem que se convencer de que não é possível acabar com a cracolândia. A cracolândia não é causa de nada, é consequência de uma ordem social que deixa à margem da sociedade uma massa de meninos e meninas nas periferias”. Quem faz a afirmação é o médico oncologista Drauzio Varella, em sua coluna na Folha de São Paulo.

O médico diz que a taxa de sucesso da medida é pequena e ele se inclui entre os que defendem a internação à força só “como último recurso, quando há risco de morte”.

Questionado sobre o que deveria ser feito, Drauzio respondeu:

“Não sei, ninguém sabe. A situação lá(São Paulo) estava muito grave porque os traficantes estavam dominando o ambiente, impedindo que os usuários se aproximassem dos agentes de saúde. Esse tipo de situação não dá para aceitar. Parece que a Polícia Civil conseguiu prender traficantes, foi uma ação até que bem conduzida.

O que foi mal é o que veio depois disso. Para lidar com esse problema da cracolândia, primeiro é preciso ver quais os recursos que o Estado tem. Há pessoas que frequentam a cracolândia há muito tempo, dos projetos anteriores, que conseguem ser aceitos pela comunidade de fato. É um trabalho lento. O Estado também precisa se preparar muito bem para receber os usuários, ver quem precisa de cuidados médicos mais intensivos. Não tem solução imediata, não pode ter pressão política. Aí fica todo mundo paralisado com essa discussão de internação compulsória”.

No caso do crack, é tirar a pessoa fora do fluxo. Temos que nos conformar que a dependência química é uma doença crônica, recidivante, como o câncer. Temos que estar preparados para aceitar que uma pessoa que se afasta da droga meses, anos, pode recair.O certo é se ter uma equipe que analise os resultados. A gente sabe que a estratégia de chegar lá com a polícia e jogar gás lacrimogêneo nas pessoas dá errado. É gastar dinheiro do Estado, não sai barato fazer uma coisa dessas. Mas a ignorância simplifica. Você acha que sabe resolver, e não é verdade. Os gestores não conhecem a complexidade da situação, mas se veem pressionados pela própria sociedade a fazerem alguma coisa” ,disse sobre o tratamento da dependência química.

mudancadeparadigmas.com

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