Janot vai contar em livro os bastidores da delação da JBS: “a sociedade brasileira quer conhecer um pouco do intestino de tudo isso”

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disse nesta segunda-feira (28) que pretende escrever dois livros sobre o seu período de quatro anos no cargo.

No primeiro, falará sobre suas memórias à frente da PGR, enquanto no segundo, ele vai focar as razões que o levaram a decisões importantes no cargo, citando o exemplo do polêmico acordo de colaboração premiada firmado com a JBS.

O procurador permanece no cargo até 17 de setembro, sendo, substituído por Raquel Dodge.

Muitas das coisas que aconteceram a gente não pode veicular, e não foram veiculadas. Algumas eu poderei contar como memórias, outras terei que esperar um pouco mais para revelar. Acho que devo isso à sociedade brasileira, que quer conhecer um pouco do intestino de tudo isso”, afirmou durante um evento do jornal O Globo, no Rio de Janeiro.

Perguntado a respeito de uma possível omissão de crimes por parte dos delatores da empresa ,entre eles os empresários Joesley Batista e Wesley Batista , sobretudo relacionados aos governos do PT, o procurador disse que “a responsabilidade é deles [delatores].

O que vigora na organização criminosa é a lei do silêncio. Se esse colaborador omitiu crime de alguém, a responsabilidade é toda dele. Uma vez apurado [o crime], ele vai perder a premiação “, afirmou.

Sobre o andamento da Operação Lava Jato, Janot disse que já é possível saber “até onde a investigação pode ir, e se espera que vá”.

A sociedade brasileira não pode ficar refém de uma investigação eterna”, justificou.

Já declarou também que foi um “desgaste” comandar o processo de denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB), que teve autorização recusada pela Câmara.

Ajuizar uma demanda contra o presidente da República desgasta qualquer cidadão. Ninguém quer ver o presidente da República do seu país ser processado penalmente. O que posso afirmar é que fazemos profissionalmente e tecnicamente o que temos que fazer. Se não fizermos, é prevaricação”, afirmou.

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