João Santana e Mônica Moura confirmam caixa 2 intermediado por Palocci

João Santana e sua mulher e sócia, Mônica Moura, confirmaram ao juiz Sérgio Moro a interlocução do ex-ministro Antônio Palocci para pagamentos de caixa 2 nas campanhas do PT.

Nesta terça-feira (18) em depoimento ao juiz Sergio Moro, Mônica disse que negociou com o ex-ministro os valores não contabilizados a serem pagos na reeleição do ex-presidente Lula, em 2006, e na eleição da ex-presidente Dilma Rousseff em 2010.

O meu interlocutor para discutir valores e negociar campanha sempre foi o Palocci. Depois que o Palocci acertava comigo o valor da campanha, ele me dizia: ‘então, vai ser pago x por dentro, isso você acerta com o tesoureiro. E essa parte por fora, o partido vai pagar tanto e a Odebrecht vai colaborar com tanto’. E ele me dizia: ‘vai lá e acerte com eles (Odebrecht), como você quer’” — afirmou Mônica, que cuidava da parte financeira das campanhas da empresa de Santana.

Monica mencionou ainda que procurava Palocci quando os repasses de caixa 2 demoravam a ser feitos pela Odebrecht:

“Quando dava algum problema eu procurava o Palocci para reclamar. Porque sempre atrasava muito”.

Mônica e o marqueteiro são réus junto com Palocci e o empreiteiro Marcelo Odebrecht numa ação penal que investiga a atuação do ministro em decisões de governo para favorecer a empresa. Na denúncia, o MPF diz que o casal teria recebido recursos de caixa 2 da empreiteira para campanhas eleitorais do PT.

Em seu depoimento, o marqueteiro João Santana denunciou, ao juiz Sérgio Moro, detalhes de todo o roteiro que o levou a comandar o marketing político e eleitoral do PT desde a crise do Mensalão, em 2005.

Cheguei e encontrei ele (Lula) muito fragilizado e ele me convidou, (perguntou) se eu podia ajudá-lo. Ele, nesse momento, disse: ‘Qualquer detalhe mais burocrático, depois o Palocci conversa com você’ – afirmou o marqueteiro.

Em conversa com o ex-ministro Antônio Palocci, depois de acertado que João Santana comandaria a campanha de reeleição de Lula, o marqueteiro disse ter sugerido a Palocci para que não se repetisse o mesmo erro de financiamento ilegal de campanha que causou o escândalo do Mensalão.

Em maio de 2016, o ministro teria avisado a Santana que a campanha teria que usar recursos de caixa 2.

“Olha, infelizmente não vai poder ser tudo com recurso contabilizado por causa das dificuldades naturais, por causa da cultura existente, mas nós temos uma empresa que dá total garantia à realização para fazer o pagamento” relatou João Santana.

A empresa citada por Palocci, segundo o marqueteiro, era a Odebrecht.

Quando o próprio Palocci veio me dizer que a Odebrecht era a empresa que dava segurança eu, candidamente, singelamente, imaginava que a Odebrecht só pagasse, pelo menos na minha área, para mim. Hoje eu vejo que até mesmo na minha área vários marqueteiros receberam assim. Alguns já apareceram e pode ser que apareçam muito mais” disse.

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