Lula “coordenou tudo, comandou tudo e sabia que tudo era feito para arrecadar”, diz ex-deputado condenado no mensalão

O ex-deputado federal e ex-presidente do Partido Progressista (PP) Pedro Corrêa, condenado pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, concedeu uma entrevista ao jornal O Globo na quarta-feira (03), em sua cobertura com vista para a praia de Boa Viagem, em Recife.

Preso há mais de quatro anos, os dez últimos meses em regime domiciliar fechado, Corrêa é o primeiro condenado no mensalão e na Lava-Jato a falar com a imprensa para contar os crimes que cometeu.

Sentado no sofá da sala e apoiado na bengala de madeira, o ex-deputado gargalhou ao se lembrar dos tempos em que esteve preso, bateu no peito e garantiu que ainda se elegeria para a Câmara.

O ex-deputado confirmou que participou permanentemente de esquemas de corrupção e de compra de votos nos quase 30 anos de vida pública. Detalhou um acordão para tentar salvar todos os envolvidos no mensalão a partir da justificativa de que se tratava apenas de caixa dois. Segundo Correa, os idealizadores seriam dois dos mais famosos advogados do país — Márcio Thomaz Bastos e Arnaldo Malheiros Filho, mortos em 2014 e 2016, respectivamente — e o avalista, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O próprio Lula participou de reuniões com os advogados e os réus do mensalão em que a tese foi apresentada para tranquilizá-los, afirmou o ex-presidente do PP:

“Lula dizia que não ia dar em nada, porque todos esses crimes estavam prescritos. Quem fazia muita restrição a isso era Valdemar (Costa Neto, ex-deputado e filiado ao PR). Ele falava: “Rapaz, isso não vai dar certo. Se prepare que vamos ser presos“. Eu dizia: “Mas o homem (Lula) não está falando que vai resolver isso?”

Da mesma forma que agiu em sua delação, o ex-deputado não poupou críticas ao petista e confirmou que “ele coordenou tudo, comandou tudo e sabia que tudo era feito para arrecadar, para pagar conta de eleição, e que a gente colocava as pessoas para fazer isso“. (Foto: O Globo)

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