Lutando contra outro câncer Jefferson quer se candidatar novamente e diz “minha “coragem” de denunciar o mensalão impediu o Brasil de virar uma Venezuela”

Roberto Jefferson, o pivô do escândalo do mensalão, revelou ao jornal Folha de São Paulo, em 2005, um esquema de compra de votos no Congresso pelo governo Lula. Teve o mandato cassado e foi condenado a 7 anos e 14 dias de prisão por receber R$ 4,5 milhões do “valerioduto”.

Atualmente, pouco menos de dois anos depois de deixar a cadeia, recebe uma romaria de políticos em Brasília, entre terça e quinta-feira. Nos fins de semana, viaja o país.

Voltou a presidir o PTB e até agora está fora da “lista da Odebrecht,” enquanto seu arquirrival, o ex-ministro petista José Dirceu, foi preso novamente por envolvimento no petrolão.

O ex-deputado, que nunca disse onde foi parar o dinheiro, cumpriu mais de um ano em regime fechado, mas depois conseguiu que o Supremo Tribunal Federal perdoasse o restante da pena.

Recentemente,uma pesquisa do Instituto Paraná revelou que se for candidato a deputado federal por São Paulo, Jefferson pode ter cerca de 600 mil votos.

“Se a saúde deixar, vou ser candidato“, disse à Folha no escritório do PTB em Brasília.

Sobre rumores de que está novamente com câncer o político, emocionado, confirmou e disse que agora é na garganta.

“É a terceira vez. Ô, doença complicada! Ela não para de apertar o sujeito.”

O poder de Jefferson está apoiado em quatro pilares: carisma pessoal, domínio do PTB, o sentimento antipetista no país e a relação próxima com Michel Temer, que conhece desde a Constituinte em 1988.

Fora de Brasília, o ex-deputado é hostilizado por petistas e aplaudido por quem detesta o PT. Pouco tempo atrás,ouviu de um aposentado que é “igual a eles [políticos], mas teve coragem de mudar o Brasil”.

Seu discurso já definido para a campanha será de que sua “coragem” de denunciar o mensalão impediu o Brasil de virar uma Venezuela.

“Se fosse o Zé Dirceu no lugar da Dilma, o povo estava apanhando na rua de milícias armadas“, afirma.

Entretanto,Roberto Jefferson só poderá fazer planos no início de junho, quando está marcada a nova cirurgia para a retirada do câncer. Mas, mesmo sem cargo eletivo, o político, que parecia carta fora do baralho dois anos atrás, voltou a ser influente.

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