O inferno em Portugal

O inferno em Portugal

Um incêndio florestal que atinge Pedrógão Grande, na região de Leiria, no centro de Portugal, já dura mais de 24 horas. As chamas começaram após a queda de uma raio nas arvores. O incêndio já é considerado uma das maiores tragédias dos últimos 50 anos no país.

Mais da metade das vítimas (30) morreu carbonizada dentro de seus carros na estrada entre Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pêra, que foi tomada pelo fogo no sábado (17).

A cidade de Avelar, a cerca de 20 quilômetros de Pedrógão Grande, se transformou desde a noite de sábado num ponto de apoio aos que conseguiram fugir do incêndio florestal que varreu dezenas de vilarejos na região. Os sobreviventes tentam retornar às suas casas, para chorar os parentes e amigos perdidos e contar os prejuízos. Mas eles não podem, pois as estradas estão todas bloqueadas.

Estou aqui preso. Tenho meus pais mortos em casa, em Castanheira do Pêra. Já me confirmaram, mas não consigo chegar lá” disse um homem à reportagem do jornal português “Expresso”.

Na mesma estrada, um casal passa pelo mesmo drama.

Tenho que sair daqui. Preciso saber dos meus familiares — diz o homem. — Não fico mais aqui, não posso. Nem que tenha de ir a pé” completa a mulher.

As estradas estão bloqueadas para a circulação de carros civis. Apenas ambulâncias, carros dos bombeiros, da polícia e das forças armadas cruzam apressadas. Pelo ar, aviões e helicópteros tentam debelar as chamas que continuam avançando. Ir a pé é uma opção, mas arriscada.

Paulo Lourenço, morador de Lisboa, aproveitou o fim de semana para visitar a região, e agora é mais um “prisioneiro” de Alevar.

Há duas frentes de fogo, e uma já cortou a entrada da aldeia. Temos primos lá e já conseguimos falar com eles. As pessoas estão muito preocupadas” , contou Lourenço, afirmando que cerca de 30 pessoas continuam em Alge.

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