Perda de alguém querido aumenta risco de ataque cardíaco e derrame

Causou surpresa e comoção a morte da atriz americana Debbie Reynolds, 84, um dia depois da de sua filha, a também atriz Carrie Fisher, 60(foto).

Quinze minutos antes de sofrer um severo Acidente Vascular Cerebral-AVC que a levaria à morte logo depois, Debbie disse ao filho Todd Fischer que “estava muito, muito triste por ter perdido Carrie e que gostaria de estar com ela novamente”.

Para Tood, a morte da irmã foi “demais” para a mãe. De certa forma, ele está certo. Cada vez mais a ciência tem mostrado que o luto de uma pessoa amada pode, literalmente, “partir” o coração de quem fica.

Um dos maiores estudos já feitos nessa área analisou dados de 2.000 sobreviventes de ataques cardíacos e revelou que os riscos de um infarto, por exemplo, pode aumentar até 21 vezes nas primeiras 24 horas após a perda de um ente querido.

Estudos anteriores já haviam mostrado que cônjuges de luto têm mais risco a longo prazo de morrer com doença cardíaca e acidente vascular cerebral – o que leva ao fenômeno conhecido como “síndrome do coração partido“.

O estresse psicológico causado pela dor intensa do luto aumenta a frequência cardíaca, a pressão arterial e a coagulação do sangue, o que, no curto prazo, também pode aumentar as chances de um ataque cardíaco ou de um AVC.

A perda de sono e apetite também pode deprimir o sistema imunológico, o que agrava condições médicas existentes. A tensão emocional faz ainda com que os enlutados tenham dificuldades para retomar suas próprias vidas enquanto outros negligenciam sua saúde e sua dieta por causa da dor da perda.

Por isso, os cardiologistas têm alertado as pessoas que passaram pelo trauma do luto (ou os parentes mais próximos) que reconheçam que estão em um período de aumento do risco cardíaco nos dias e semanas depois que alguém próximo morreu.

Há quase seis meses elaborando a perda da minha mãe, posso dizer que essa rede de proteção é fundamental neste momento de profundo desamparo e de restruturação da vida sem a pessoa que perdemos. Por Cláudia Collucci (Folha)

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