Somos todos corruptos

   Os brasileiros achavam que, quando Getúlio caísse e secasse o seu “mar de lama”, a corrupção terminaria.

   Mas aí veio Adhemar de Barros, e sua frase mais célebre era: “Rouba, mas faz”.

   Os generais acharam que, se derrubassem os civis, a corrupção terminaria.

   Mas aí veio a ditadura militar e a corrupção continuou.

   A gente achava que quando caísse a ditadura militar a corrupção endêmica terminaria.

   Mas aí descobrimos Orestes Quércia, Paulo Maluf e ACM.

   Collor se elegeu como “caçador de marajás” e os brasileiros achavam que a corrupção terminaria.

   Mas descobrimos que havia um PC Farias e que ele era sócio de Collor. E Collor foi derrubado.

   A gente achava que depois que Collor caísse o Brasil seria passado a limpo e nunca mais haveria corrupção.

   Mas aí veio a Lava Jato e abriu-se uma verdadeira caixa de Pandora da corrupção.

   E então as pessoas foram às ruas achando que, se derrubassem Dilma a corrupção terminaria.

   Mas aí veio Temer.

   Agora, os três homens mais poderosos do país – Temer, Cunha e Renan – são suspeitos de corrupção, dois deles com vários inquéritos abertos e um deles réu duas vezes.

   Está difícil derrubar Temer, está difícil derrubar Cunha, está difícil derrubar Renan.

   O Brasil, conhecido como país do samba, do carnaval e do futebol agora começa a ser conhecido no mundo como o país da corrupção.

   E a pecha vai recair não somente sobre Temer, Cunha e Renan, nem sobre os políticos brasileiros, mas sobre todos os brasileiros.

   Todo brasileiro será identificado, por outros povos, como um corrupto em potencial.

   Somos todos corruptos.   Por Alex Solnik (jornalista)

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