Surto de febre amarela pode estar relacionado à tragédia de Mariana

De acordo com a bióloga da Fiocruz Márcia Chame, o aumento alarmante de casos suspeitos de febre amarela em Minas pode estar relacionado à tragédia (crime ambiental) provocada pelo rompimento da barragem de Fundão em Mariana, pertencente à mineradora Samarco, controlada pelas empresas BHP Billiton e Vale S.A.

Márcia afirma ainda que grande parte das cidades mineiras que identificaram até o momento casos de pacientes com sintomas da doença está justamente na região próxima do Rio Doce, afetada pelo rompimento da barragem.

Mudanças bruscas no ambiente provocam impacto na saúde dos animais, incluindo macacos. Com o estresse de desastres, com a falta de alimentos, eles se tornam mais suscetíveis a doenças, incluindo a febre amarela”, afirmou a bióloga, que também coordena a Plataforma Institucional de Biodiversidade e Saúde Silvestre na Fiocruz. “Isso pode ser um dos motivos que contribuíram para os casos. Não o único”, completa. Márcia observa que essa região do Estado já apresentava um impacto ambiental importante, provocado pela mineração. “É um conjunto de coisas que vão se acumulando”, disse.

A bióloga chama a atenção para o fato de que os episódios deste ano se assemelham aos que foram registrados em 2009, quando um surto de febre amarela foi identificado no Rio Grande do Sul, área que por mais de 50 anos foi considerada livre da doença.

“Ambientes naturais estão sendo destruídos. No passado, o ciclo de febre amarela era mantido na floresta. Com a degradação do meio ambiente, animais acabam também ficando mais próximos do homem, aumentando os riscos de contaminação.”

Em boletim epidemiológico divulgado na quinta-feira (12), a SES-MG informou que o número de casos suspeitos em 2017 no estado de Minas Gerais já são 110. Desses, 20 são tratados como casos prováveis, cujos pacientes apresentaram exame laboratorial preliminar positivo. Os outros 90 casos ainda estão sendo analisados. O governo mineiro também informou que, dos 30 óbitos suspeitos, dez já são considerados prováveis. Informações: Estadão

FebreAmarela

mudancadeparadigmas.com

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