Vídeo-Empresário que fez as revelações que originaram a Lava Jato vive escondido por medo de vingança

Empresário que fez as revelações que originaram Lava Jato vive fora do país por medo de vingança

Hermes Magnus, o empresário que fez as primeiras revelações à Justiça que levaram à Operação Lava Jato vive hoje escondido, fora do Brasil. Magnus foi sócio do doleiro Alberto Youssef e do ex-deputado José Janene, morto em 2010.

Em entrevista ao Bom Dia Brasil, o jornalista Chico Regueira conversou com Magnus pela internet.

Bom Dia Brasil: – Que esquema de lavagem de dinheiro era esse? O que o senhor denunciou, qual foi a primeira denúncia?

Hermes Magnus: “Em 2008 eu procurava investidores para a minha empresa porque eu tinha recém-começado a exportar os meus produtos, que eram equipamentos para certificação, e na busca por esse investidor eu cheguei a um escritório em São Paulo capitaneado pelo ex-deputado José Janene, e tempos depois eu vim, a saber, que também pertencia ao Alberto Youssef. Nós precisávamos de maquinário, que eram equipamentos caros, somava em torno de um milhão, mais um milhão para fluxo de caixa. E foi o que foi feito, mas eles investiram muito mais que isso, porque eles queriam a intenção, era lavar dinheiro. E por sorte, um fornecedor muito sério, do Rio Grande do Sul, acabou questionando para entregar o equipamento caro, em torno dos R$ 250, R$ 300 mil, eles acabaram questionando e colocaram a imposição de que seu não apresentasse uma declaração deste depositante, que fez em nome da minha empresa, que era o Posto da Torre. Eles não poderiam entregar o equipamento”.

BDBrasil: O que era o Posto da Torre?

HM: “Era a razão social deste Posto da Torre, do Carlos Habib Chater, o doleiro, em Brasília, e aí que deu nome, foi a origem do nome da Lava Jato porque naquele posto eles lavavam de tudo, tinha lavanderia, tinha casa de câmbio, lavagem de automóveis, então, por isso, Lava Jato, porque ali lavava-se de tudo”.

BDBrasil: Esse posto era a fonte pagadora dos recursos da sua sociedade com Alberto Youssef?

HM: “Uma das fontes, porque eles faziam muitos depósitos em dinheiro vivo. Por exemplo: folha de pagamento, a Dunel, no período em que eles estiveram na minha empresa, não houve uma folha de pagamento que tivesse sido paga via banco. Dinheiro vivo. E eu consultei pessoas que conheciam e que disseram: ‘olha, você está lavando dinheiro para alguém, acho bom você tentar sair dessa”.

BDBrasil: O senhor fez a denúncia diretamente ao juiz Sérgio Moro?

HM: “Me entregaram o e-mail dele e eu passei tudo aquilo e ele disse, respondeu rapidamente, eu lembro, na época, dizendo: ‘olha, não cabe ao senhor denunciar a mim, que sou o juiz, mas muito obrigado pelas informações, eu estou encaminhando-as para a autoridade policial competente”.

BDBrasil: O senhor teve dificuldades até chegar ao juiz Sérgio Moro e ele encaminhar ao senhor a autoridades, o senhor foi levado a sério?

HM: “Não, em momento algum. Todas as autoridades tinham muito medo de tratar desse assunto. Até que em 2014 acontece a Lava Jato. E eu vejo pela TV todas as figuras que eu conheço, algumas eu conheci na casa do Janene, eu conheço essas figuras todas andando algemadas em direção ao camburão, aí eu lembrei do juiz. Ao lembrar do juiz, eu imediatamente enviei um e-mail: ‘doutor Sérgio, eu acredito que essas pessoas que vocês estão prendendo aí têm alguma relação com a minha empresa’. Ele, então, respondeu, agradecendo e dizendo que atualizaria o meu contato com a autoridade policial e disse, e confirmou, sim, que as informações pretéritas que eu havia levado à autoridade serviram para desencadear tudo que está aí”.

BDBrasil: Por que o senhor saiu do Brasil?

HM: “Recebi muitas ameaças, botaram fogo na casa onde começou a empresa em Santa Catarina, felizmente eu não estava lá, na noite em que isso aconteceu”.

BDBrasil: O senhor vive onde?

HM:Eu vivo no exterior. Um país me deu asilo político”.

BDBrasil: O senhor tem medo?

HM: “Temo pela vingança, talvez nem diretamente dos políticos, mas desse baixo clero, de toda essa máfia que tem que está aí morrendo, que vai morrer de inanição por falta do dinheiro da corrupção”.

mudancadeparadigmas.com

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