Vídeo – “Eu não vou rir nem vou chorar” diz Lula sobre delação da Odebrecht

O ex-presidente Lula afirmou nesta quinta-feira (13) que a acusação contra ele é tão “inverossímil e irreal” que “não vai rir nem chorar”, apenas ler cada peça do processo para chegar com segurança “no dia certo”, informa o jornal “Extra”.

Em entrevista à Rádio Metrópole, de Salvador, o ex-presidente disse que não pode ficar nervoso ou perder a cabeça “por uma coisa dessa” neste momento.

Mais um absurdo, a delação do Marcelo Odebrecht. Eu até compreendo que o Marcelo já tá preso há dois anos, que ele tem família fora, que ele tá comendo o pão que o diabo amassou e talvez esteja tentando criar condição para sair da cadeia. Agora, é tão inverossímil a acusação, é tão irreal, que eu não vou rir nem vou chorar. Vou analisar corretamente, vou conversar com os advogados, vou ler cada peça do processo, pra que a gente possa chegar no dia certo claramente e com segurança. A delação tem que ser provada, a pessoa tem que provar” afirmou.

Lula disse ainda que está tranquilo e desafiou empresários a dizerem que pediu dinheiro a eles.

Eu to muito tranquilo, porque eu continuo desafiando qualquer empresário brasileiro, qualquer empresário, a dizer que o Lula pediu R$ 10 pra ele. Se alguém pediu em meu nome, essa pessoa tem que ser presa, porque eu nunca autorizei ninguém a pedir dinheiro em meu nome. Eu não posso ficar nervoso, perder a cabeça por uma coisa dessa nesse momento. Hoje vou começar a ler as peças e me preparar para ao meu depoimento e a vida continua. Vou continuar fazendo política. O dia que alguém que provar um erro meu ou R$ 10 ilícitos na minha vida, eu paro com a política” disse Lula.

Sobre seu primeiro depoimento ao juiz Sérgio Moro, marcado para o dia 3 de maio, em Curitiba, o ex-presidente afirmou que as perguntas são teses prontas.

Cada depoimento que eu vou prestar eu fico surpreso com a qualidade das perguntas que eles fazem, porque é uma coisa até sem nexo, ou seja, me parece que eles já estão com a tese pronta e querem só encontrar o conteúdo para colocar dentro da tese deles. Eu tô tranquilo, vou prestar depoimento no dia 3 de maio, e é a grande oportunidade que eu tenho de ouvir as perguntas e as acusações que eu sou vítima, para poder responder com muita tranquilidade”.

Questionado sobre o desempenho de Dilma Rousseff a frente do governo e se este trouxe prejuízo a sua imagem e a do PT, Lula disse:

O começo do segundo mandato do Fernando Henrique Cardoso, em 99, com aquela crise cambial, ele tinha 8% de aprovação, como a Dilma. Qual foi a diferença? É que o Fernando Henrique tinha um Temer de presidente da Câmara tentando ajudar o governo para aprovar as reformas para começar a recuperar a economia. (…) A Dilma teve o contrário, teve um Eduardo Cunha tentando atrapalhar qualquer reforma. Essa é a diferença básica” afirmou.

Para Lula, se as reformas econômicas apresentadas por Dilma tivessem sido aprovadas em “tempo hábil”, a crise não teria alcançado a proporção atual. Ele admitiu que foram cometidos erros durante a gestão da petista e citou como exemplo o aumento no preço da gasolina.

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